Convento de Cristo em Tomar






Valor Universal Excepcional

Breve síntese

A paisagem urbana de Tomar, localizado no Centro de Portugal, é dominado a oeste pelo vasto complexo monumental do Convento de Cristo, situado no topo de uma colina. É a principal característica da identidade da cidade, cuja unidade foi preservada. O Convento está rodeado pelas muralhas do Castelo de Tomar. Pertenceu à Ordem dos Templários e foi fundada em 1160 por Gualdim Pais, Grande Mestre dos Cavaleiros Templários.

Construída ao longo de cinco séculos, o Convento de Cristo é um testemunho de uma arquitectura que combina o românico, Gótico, Manuelino, Renascimento, Elementos maneiristas e barrocos. A peça central do convento é sua rotunda do século 12, Oratório dos Templários, influenciado pela Rotunda do Santo Sepulcro de Jerusalém. Foi construído pelo primeiro grande mestre dos Templários, Gualdim Pais, e assentava numa planta poligonal de 16 vãos incluindo um coro octogonal com deambulatório:trata-se de uma das típicas "rotondas" da arquitectura templária de que poucos exemplares ainda existem na Europa. Em 1356, o Convento tornou-se a casa da Ordem de Cristo em Portugal e a decoração da rotunda reflete a riqueza da Ordem. As pinturas e afrescos representando principalmente cenas bíblicas do século 16, bem como as estátuas douradas sob a cúpula bizantina foram cuidadosamente restauradas. Quando a igreja manuelina foi construída, estava ligado à rotunda por uma arcada.

Ao norte e ao leste ficam a Sacristia, os claustros do cemitério e da lavanderia, a enfermaria, o salão dos cavaleiros e a farmácia. Claustros foram acrescentados em diferentes períodos:o do Cemitério, construída a nordeste da rotunda ca. 1430 pelo infante D. Henrique empregou arcos pontiagudos de um sóbrio, estilo gótico elegante.

A influência manuelina foi, como em outros lugares, decisiva e contundente:Foi no reinado de D. Manuel que Diego de Arruda foi incumbido da execução do enorme coro de planta quadrada com tribuna elevada por cima da casa capitular. O alçado destes dois pisos é marcado exteriormente por duas conceituadas baías, uma janela e um óculo combinando influências góticas e mouriscas, oferecendo assim a expressão mais perfeita do estilo decorativo manuelino.

As grandes mudanças ocorridas durante o reinado de D. João III (1521 - 1557) pretendiam exprimir o poder da Ordem com ricas decorações manuelinas. Outros claustros e novos edifícios monásticos foram construídos no reinado de João III por João de Castilho que, em Tomar como em Belém, não eram insensíveis à influência italiana. Os trabalhos continuaram na segunda metade do século XVI no claustro da "Philips", o claustro principal, modificado por Diego de Torralva. As fachadas são ritmadas por uma ordem serliana ou paladiana de dois andares de colunas coríntias e toscanas.

Originalmente projetado como um monumento que simboliza a Reconquista, o Convento dos Templários de Tomar (transferido em 1344 para os Cavaleiros da Ordem de Cristo) passou a simbolizar justamente o contrário durante o período manuelino - a abertura de Portugal a outras civilizações.

Critério (i):A igreja primitiva dos Templários, junto com suas construções da Renascença, constitui uma obra-prima do gênio criativo humano.

Critério (vi):O Convento de Cristo em Tomar, originalmente concebido como um monumento simbólico da Reconquista, passou a ser, do período manuelino, um símbolo inverso:o da abertura de Portugal às civilizações exteriores.

Integridade

Dentro dos limites da propriedade estão localizados todos os elementos necessários para expressar o Valor Universal Excepcional do Convento de Cristo, incluindo arquitetura e decoração de períodos sucessivos.

Autenticidade

O Convento preserva sua autenticidade, mantendo seus planos originais, materiais, significado social e relação com o meio urbano. Os projetos de restauração respeitaram estritamente os materiais e técnicas originais. Existe um plano de intervenção rigoroso com ênfase na conservação e restauro da rotunda. O complexo não sofreu grandes alterações. O Convento é atualmente um centro cultural, atração turística e devocional. A reunião anual da Ordem dos Cavaleiros Templários ainda ocorre nas instalações do Convento na primeira quinzena de março, e é precedido por uma cerimônia religiosa. Além disso, o convento está aberto ao público e a igreja ainda realiza serviços religiosos.

Requisitos de proteção e gerenciamento

O Convento de Cristo foi classificado como monumento nacional por decreto publicado na Revista do governo no. 14 de 17 de janeiro de 1907.

A fim de garantir a aplicação da Lei que estabelece as bases da política e do sistema de normas de proteção e valorização do património cultural (Lei n.º 107, de 8 de setembro de 2001), Decreto nº 140 de 15 de junho de 2009 estabeleceu o quadro legal para estudos, projetos, relatórios, obras ou intervenções em bens culturais classificados. É estabelecido, como uma regra, a necessidade de uma avaliação prévia e sistemática, monitorar e pesar quaisquer obras que possam afetar a integridade do local, de modo a evitar qualquer desfiguração, dilapidação, perda de características físicas ou autenticidade. Isso é garantido por um planejamento adequado e rigoroso, por pessoal qualificado, de qualquer técnica, metodologias e recursos a serem utilizados para implantação de obras em bens culturais.

De forma similar, de acordo com o Decreto no. 309 de 23 de outubro de 2009, zonas tampão são consideradas zonas de proteção especial, beneficiando de restrições adequadas para a proteção e valorização dos bens culturais.

Preservar a autenticidade e integridade de todo o complexo monumental dentro de um plano de trabalho envolvendo a comunidade local é o principal objetivo da gestão. Também leva em consideração as recomendações da UNESCO no Relatório do Estado de Conservação de 1990, nomeadamente reparações de coberturas para que não haja pingos de água nas fachadas.

Todas as intervenções implementadas ou previstas, cumprir a legislação vigente, bem como com critérios técnicos e científicos estritos. Há um foco especial no tratamento e reabilitação da área ao redor do monumento, uma vez que estes trabalhos serão assegurados por organizações locais envolvendo tanto o município como a comunidade local.

Há reconversão controlada de algumas áreas do convento para fins culturais, educacional, científico, e usos sociais.

A gestão deste complexo é assegurada pelos serviços descentralizados da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), o departamento da administração central responsável pelo património cultural. Conservação, As medidas de valorização e salvaguarda são asseguradas pela DGPC, a quem cabe elaborar um programa anual e implementá-lo de forma a garantir o futuro do monumento.



Arquitetura clássica
Arquitetura clássica